A Rede SciELO publica mais de 500 mil artigos em acesso aberto em 17 anos de operação

Por Abel L Packer

Editorial

A Rede SciELO inicia o ano de 2015 com o recorde de mais de 500 mil artigos indexados e publicados online, todos em acesso aberto. Esse recorde é resultado da publicação regular das 13 coleções de periódicos certificadas da rede, que neste próximo mês de março de 2015 cumpre 17 anos de operação desde seu lançamento. Este post faz um resumo do estado atual da composição da Rede SciELO. Uma análise mais ampla e detalhada da evolução do Programa e da Rede SciELO está documentada no livro publicado pela UNESCO e o SciELO1 como parte das comemorações dos 15 anos do programa realizada em outubro de 20132.

1. Estado de desenvolvimento das coleções Rede SciELO

A Tabela 1 apresenta o estado de desenvolvimento das 18 coleções da Rede SciELO em janeiro de 2015, seguindo a ordem cronológica em que adotaram o modelo SciELO de indexação e publicação.

Tabela 1

São 16 coleções nacionais, de 13 de países da América Latina e Caribe mais as da África do Sul, Espanha e Portugal e 2 coleções temáticas. Entre as coleções nacionais, 12 são certificadas, pois cumprem os critérios de operação dos sites da rede estabelecidos pela metodologia SciELO. Das duas coleções temáticas, a de Saúde Pública é certificada e contém 16 periódicos, sendo 10 das coleções nacionais da América Latina, 2 da Espanha, um da Itália, um dos Estados Unidos e dois da Organização Mundial da Saúde. A coleção Social Sciences, de caráter experimental orientada à tradução de artigos selecionados de periódicos de ciências sociais da América Latina, foi interrompida em 2010.

O portal scielo.org integra todas as coleções, seus periódicos e artigos por meio das funções de buscas, acesso e interoperabilidade.

Desde sua criação, mais de 1200 títulos foram indexados pela Rede SciELO. Destes, cerca de 1040 continuam ativos. Entretanto, este número baixa para pouco mais de 800 quando consideramos os periódicos com publicação atualizada nos últimos 6 meses, que é o critério estabelecido para participar do SciELO Citation Index (SciELO CI) na plataforma Web of Science.

A Figura 1 mostra a distribuição do conjunto dos periódicos e artigos indexados nas coleções certificadas segundo as grandes áreas temáticas. As Ciências da Saúde predominam sobre as demais áreas no número de periódicos indexados (31%) e principalmente no número de artigos publicados (43%). Seguem as Ciências Humanas com 29% dos periódicos e 18% dos artigos. As Agrárias e Biológicas têm participações próximas tanto em número de periódicos (10-12%) quanto de artigos (14-15%). O mesmo acontece com as Engenharias e as Exatas e da Terra: 7 e 8% dos periódicos e 6 a 7% dos artigos. Já as Sociais Aplicadas têm um alto número de periódicos (18%) e uma participação baixa em número de artigos (9%).

As distribuições dos periódicos e artigos por áreas temáticas variam de país para país, como mostra a Tabela 2 que considera as coleções da Argentina, Brasil, Chile, as mais estabilizadas da rede. Periódicos de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas predominam nas coleções da Argentina (42% e 18%, respectivamente) e Chile (28% e 25%), enquanto no Brasil predominam os de Saúde (33%) seguidos pelos de Humanas (28%). Periódicos de Biológicas têm presença relativa similar nas três coleções (13 a 15%). Em número de artigos, aqueles publicados em periódicos de Saúde predominam nas três coleções com diferentes pesos, seguidos pelos de Humanas na Argentina (29%) e no Chile (19%), e de Agrárias (20%) no Brasil. As coleções da Argentina e Chile têm porcentagens similares de artigos em Biológicas (20 e 17%), Exatas e da Terra (11%) e Linguística, Letras e Artes (6 e 7%). Na coleção do Chile, os periódicos e artigos de Engenharia tem maior presença relativa (8 e 7%).

Tabela 2

Uma das características principais da Rede SciELO é a publicação multilíngue. No acumulado dos 17 anos da rede, predominam os artigos em português (41%), devido ao tamanho da coleção histórica do Brasil, seguidos dos artigos em espanhol (39%) e inglês (31%). Mas, considerando a produção anual recente, e, tomando o ano de 2013 como base, predominam os artigos em espanhol (42%), seguidos dos artigos em inglês (39%) e português (31%). Do total dos artigos em inglês de 2013, os periódicos do Brasil representam 65% seguidos da África do Sul, com 11%.

2. O modelo de operação da Rede SciELO

Os periódicos da Rede SciELO não têm fins comerciais e são, em sua grande maioria, de propriedade ou operam sob a responsabilidade de instituições de pesquisa e de ensino ou de sociedades científicas e profissionais ou técnicas. São reunidos em coleções nacionais de acordo com critérios de indexação e fazem parte das infraestruturas nacionais de pesquisa e comunicação científica. As coleções operam em rede na Web, com descentralização da gestão executiva e científica, do financiamento e operação. Entretanto, todas elas operam seguindo o modelo SciELO, uma plataforma comum de metodologias e tecnologias que implementam as funções de indexação com métricas de progresso e desempenho, tratamento digital dos textos, seu armazenamento em servidores, preservação, recuperação, publicação online e interoperabilidade com outros índices e sistemas de informação científica. O objetivo é contribuir para o aumento da qualidade e visibilidade dos periódicos e das pesquisas que comunicam.

A maioria das coleções são financiadas e lideradas por agências nacionais de apoio à pesquisa por meio de seus programas e projetos de apoio à comunicação científica. No caso da coleção SciELO Brasil, que mantém o desenvolvimento da plataforma metodológica e tecnológica do SciELO, a operação é custeada em 90% pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) com apoio complementar do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNPq).

Considerando que as coleções nacionais são produzidas em diferentes países e operam de modo cooperativo com seus conteúdos disponibilizados em acesso aberto, a Rede SciELO situa-se como um Bem Público Global.

3. Futuro da Rede SciELO: principais desafios e linhas prioritárias de ação

O futuro da rede SciELO é conduzido pelas mesmas condições, princípios e objetivos que motivaram a sua criação e sustentaram o seu desenvolvimento. As condições e princípios reitores são: a concepção do conhecimento científico como um bem público e, portanto, o acesso deve ser democratizado ao máximo; a comunicação científica sendo parte integral da infraestrutura da pesquisa científica; e, a gestão e financiamento das coleções deve ser descentralizada e baseada na qualidade crescente das pesquisas e das publicações. Os objetivos são contribuir para o aumento sustentável da qualidade e da visibilidade dos periódicos editados e publicados por instituições nacionais. Para o cumprimento destes objetivos, as coleções SciELO executam três funções básicas: a indexação dos periódicos que cumprem os critérios de seleção, o armazenamento, preservação e publicação online em acesso aberto dos conteúdos dos periódicos e a sua interoperabilidade na Web.

Na última reunião da Rede SciELO realizada em outubro de 2013, por ocasião da Conferência SciELO 15 Anos, foram reafirmados os princípios e objetivos da rede e priorizados o alinhamento da gestão e operação das coleções e dos periódicos de acordo com o estado da arte internacional, com destaque para a adoção e adaptação das inovações metodológicas e tecnológicas que caracterizam a comunicação científica internacional. Este avanço foi estruturado em três linhas prioritárias de ação (profissionalização, internacionalização e sustentabilidade financeira) que serão implantadas ao longo dos próximos 3 anos.

A implantação das linhas de ação seguirá duas abordagens convergentes, a primeira é o estabelecimento de um conjunto de condições e indicadores como critérios de indexação, sendo que alguns aplicam-se a todos os periódicos e outros aplicam-se a conjuntos de periódicos por áreas temáticas. Assim, por exemplo, todos os periódicos da coleção SciELO Brasil, a partir de janeiro de 2015, deverão estruturar os textos completos em XML de acordo com o SciELO Publishing Schema e até o final de 2015 todos os periódicos deverão operar com um sistema ou serviço de submissão online certificado pelo SciELO. Como exemplo de critérios aplicados a uma área temática, 50% dos artigos de Ciências Agrárias deverão estar no idioma inglês. A segunda linha de ação é o estabelecimento de uma plataforma de produtos, sistemas e serviços de editoração, publicação e interoperabilidade de acordo com o estado da arte internacional de modo que a produção, hosting e disseminação dos periódicos e artigos sejam compatíveis com a dos publishers internacionais a um menor custo.

Notas

1 PACKER, A.L., et al., orgs. SciELO  15 Anos de Acesso Aberto: um estudo analítico sobre Acesso Aberto e comunicação científica. Paris: UNESCO, 2014. ISBN 978-92-3701-237-6. Available from: http://dx.doi.org/10.7476/9789237012376.

2 SciELO. 2013. Available from: http://www.scielo15.org/.

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

PACKER, A. A Rede SciELO publica mais de 500 mil artigos em acesso aberto em 17 anos de operação [online]. SciELO em Perspectiva, 2015 [viewed ]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2015/02/06/a-rede-scielo-publica-mais-de-500-mil-artigos-em-acesso-aberto-em-17-anos-de-operacao/

 

2 Thoughts on “A Rede SciELO publica mais de 500 mil artigos em acesso aberto em 17 anos de operação

  1. Pingback: Rede SciELO alcança recorde de publicação de artigos | Biblioblog Unesp Bauru

  2. Pingback: El profesional de la información » Blog Archive » ¿Megajournal o metapublisher?

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Post Navigation