O que é este tema dos preprints?

Por Ernesto Spinak

Imagem: SciELO

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Na semana passada presenciei um webinar de pouco mais de uma hora no qual se explicavam as vantagens de usar servidores de preprints para a comunicação científica. É possível assistir à apresentação no YouTube1. Porém, caso não possa dedicar tanto tempo, neste post contamos um pouco sobre o assunto em menos de 10 minutos. Continue lendo.

Na publicação acadêmica, um preprint é uma versão de um manuscrito antes da avaliação por pares, os quais certificam ou não sua publicação formal em um periódico. O preprint é depositado pelo autor correspondente em um servidor de preprints, geralmente temático, seguindo procedimentos públicos. A versão preprint pode ser um avanço ou uma versão incompleta, porém o mais comum é uma versão final. Ao utilizar este serviço, os autores estabelecem uma omo precedente, podem solicitar comentários e agregar sugestões ao manuscrito, que é enviado posteriormente ao processo editorial formal de um periódico.

Os pesquisadores em física e matemática vêm há mais de 25 anos depositando seus trabalhos de pesquisa no arXiv.org onde são incluídos mais de 100 mil manuscritos por ano e novas áreas e disciplinas foram agregadas ao repositório, como por exemplo, biologia quantitativa, estatística e finanças quantitativas. Ultimamente, novos servidores de preprints estão em operação em outras áreas ou se encontram em processo de lançamento. A iniciativa ASAPbio, dirigida por cientistas, está promovendo ativamente o uso de preprints na área de biologia. Entre outros, destacamos, em ordem alfabética, bioRxiv, ChemRxiv, engrXiv, Figshare, F1000Research, PeerJPreprints, PsyArXiv, SocArXiv e SSRN. O importante é que todos estes preprints são detalhadamente indexados pelo Google Scholar, o que lhes permite uma visibilidade imediata pela comunidade de pesquisadores. O site Open Science Framework também indexa todos os principais servidores de preprints.

Os servidores de preprints são totalmente compatíveis com periódicos acadêmicos e, de fato, existe uma grande quantidade de sociedades científicas, assim como de periódicos (comerciais e de acesso aberto) que têm incorporadas em suas políticas editoriais o uso de servidores de preprints por parte do autor. Na Wikipédia há um artigo2 especialmente dedicado ao tema, onde se encontram relacionadas estas instituições e suas políticas, entre as quais, o Nature Group, Elsevier, Springer, Cell, Science e muitas outras. O site ASAPbio publica uma animação de 4 minutos que resume o que são os preprints.

Quais são os benefícios principais de usar preprints? Em poucas palavras:

  • Acesso aberto de forma imediata ao artigo.
  • Divulgação pública de trabalhos recentes e ‘invisíveis’, como as teses e bolsas de doutorado.
  • Obter mais comentários sobre seu trabalho por parte de colegas.
  • Data certa de quando sua pesquisa se torna pública, para estabelecer prioridades.
  • Avançar ao ritmo da ciência.

Algumas preocupações:

  • Podemos confiar em compartilhar nossa informação antes da avaliação por pares?
    • Na realidade, os pesquisadores já estão compartilhando informação sobre seus trabalhos, por exemplo, nas conferências. O mais importante é que a publicação do preprint fornece uma data efetiva que permite aos pesquisadores estabelecer a prioridade de sua parte do trabalho.
  • Vão copiar minhas ideias!!!! Pois os preprints estão disponíveis ao público, porém eles não os respeitarão.
    • Paul Ginsparg, fundador do arXiv comentou3: “isso não deveria ocorrer, uma vez que os postings do arXiv são aceitos com a data de publicação para reclamações de prioridade”.
    • “Como cidadãos responsáveis da comunidade científica, vamos citar de boa fé os trabalhos originais apresentados como preprints em nossos próprios trabalhos, da mesma maneira que citaríamos uma publicação de periódico. Reconhecemos tais trabalhos como apropriados em nossas apresentações nas reuniões científicas.” Declaração preliminar do ASAPbio.

Resultados e consequências:

  • Os preprints comprovadamente aumentam a quantidade de downloads e, consequentemente, a visibilidade dos autores, de seus trabalhos e, eventualmente, as citações.
  • Diminuem de forma importante o atraso na publicação dos artigos que causa grandes frustrações e reclamações em prioridade. Isso é crítico nas ciências biológicas, física, química, e as “frentes de pesquisa” que são os temas candentes na atualidade.
  • Algumas instituições, por exemplo, org, com a finalidade de impulsionar o paradigma dos preprints, promovem ações para convencer sobre a adoção de preprints as agências de fomento, os comitês de seleção das universidades e os periódicos acadêmicos (Become an ASAPbio Ambassador).

Minhas reflexões

  • A adoção generalizada de preprints terá consequências na função da avaliação por pares (seja cega ou aberta), porém, sem dúvida, a converterá em um processo mais dinâmico.
  • O papel dos periódicos acadêmicos mudará no processo da comunicação científica. Os periódicos poderiam bem se converter em selos de reconhecimento ou qualidade confiável dentro da área de pesquisa.
  • Seria uma boa ideia que o Programa SciELO implementasse um servidor de preprints para os artigos que publicam seus cerca de 1.000 periódicos. Aguardemos as novidades.

Notas

1. Communicating your research: What’s the deal with preprints? eLife on YouTube. 2016. Available from: http://www.youtube.com/watch?v=Rq6K1hk13w4

2. Preprint. Wikipedia. [viewed 12 November 2016] Available from: http://en.wikipedia.org/wiki/Preprint

3. Draft statement 1: disclosing and crediting scientific work involving preprints. ASAPbio. Available from: http://asapbio.org/drafts/draft1

Referências

ASAPbio ambassadors. ASAPbio. Available from: http://asapbio.org/asapbio-ambassadors

Communicating your research: What’s the deal with preprints? eLife on YouTube. 2016. Available from: http://www.youtube.com/watch?v=Rq6K1hk13w4

Draft statement 1: disclosing and crediting scientific work involving preprints. ASAPbio. Available from: http://asapbio.org/drafts/draft1

Lista de periódicos académicas por política de preprints. Wikipedia. [viewed 12 November 2016] Available from: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_academic_journals_by_preprint_policy

Preprint FAQ. ASAPbio. Available from: http://asapbio.org/preprint-info/preprint-faq

Preprint. Wikipedia. [viewed 12 November 2016] Available from: http://en.wikipedia.org/wiki/Preprint

What are preprints? iBiology on YouTube. 2016. Available from: http://www.youtube.com/watch?v=2zMgY8Dx9co

Links Externos

arXiv.org – <http://arxiv.org/>

ASAPbio – <http://asapbio.org/>

bioRxiv.org – <http://biorxiv.org/>

ChemRxiv – <http://pubs.acs.org/meetingpreprints>

engrXiv – <http://blog.engrxiv.org/>

F1000Research – <http://f1000research.com/>

Figshare – <http://figshare.com/>

OSFPREPRINTS – <http://osf.io/preprints/

PeerJ Preprints – <http://peerj.com/archives-preprints/>

PsyarXiv – <http://osf.io/view/psyarxiv/>

SocArXiv – <http://osf.io/view/socarxiv/>

SSRN – <http://www.ssrn.com/en/>

 

spinakSobre Ernesto Spinak

Colaborador do SciELO, engenheiro de Sistemas e licenciado em Biblioteconomia, com diploma de Estudos Avançados pela Universitat Oberta de Catalunya e Mestre em “Sociedad de la Información” pela Universidad Oberta de Catalunya, Barcelona – Espanha. Atualmente tem uma empresa de consultoria que atende a 14 instituições do governo e universidades do Uruguai com projetos de informação.

 

Traduzido do original em espanhol por Lilian Nassi-Calò.

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

SPINAK, E. O que é este tema dos preprints? [online]. SciELO em Perspectiva, 2016 [viewed ]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2016/11/22/o-que-e-este-tema-dos-preprints/

 

2 Thoughts on “O que é este tema dos preprints?

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