Entrevista – Rogério Meneghini

Rogério Meneghini

Rogério Meneghini

Nesta entrevista, Rogerio Meneghini mostra que a visibilidade internacional de periódicos de países com economias emergentes depende não apenas da área, mas também da avaliação do periódico, que deve ser compreendido como um mecanismo que busca sua melhoria. Cursos de escrita técnica no primeiro ano das universidades são importantes neste aspecto e, indo além de artigos e projetos, aprender como escrever uma patente é particularmente importante nos dias atuais.

Rogério Meneghini é Bacharel em química e doutor em bioquímica, ambos os títulos obtidos pela Universidade de São Paulo. Desde cedo se dedicou ao estudo de comunicação científica e da ciência brasileira sob vários aspectos, desde avaliação até mensuração com indicadores e suas possibilidades de aplicação em política científica. Dirigiu os trabalhos de avaliação da USP, foi adjunto da Diretoria Científica da FAPESP e co-criador do projeto SciELO de periódicos científicos permanecendo como seu coordenador científico desde então até o presente.

1) Porque todos os periódicos nacionais devem ter visibilidade internacional?

Não creio que é defensável que o autor de um artigo deva sempre mirar a comunidade internacional. Tomando o meu próprio exemplo, quando bioquímico eu sempre mirei a comunidade internacional, o que é comum em todas as áreas básicas de ciências naturais. Mas quando passei a escrever sobre ciência da informação encontrei ocasiões em que me fixava nos interesses do leitor nacional (no caso, brasileiro).

2) Os países têm clubes de futebol de primeiro nível, porque existem centenas de clubes pequenos no interior, onde milhares de jovens treinam, e daí saem as seleções para o Campeonato Mundial. Os periódicos nacionais não deveriam ser os lugares onde os “jogadores” são treinados e onde os melhores níveis de “jogadores” são selecionados? Alguém poderia dizer que os clubes menores devem ser eliminados? Então, por que os periódicos?

Não creio que haja alguém defendendo como regra geral que periódicos de nível menor devam ser eliminados. Os clubes de futebol não são sujeitos à eliminação, mas devem ser ranqueados, como de fato o são. Assim ocorre com os periódicos. Eles devem ser classificados e é justamente através deste processo que são percebidas suas qualidades e fragilidades. O processo de avaliação de periódicos deve ser entendido como um mecanismo que busca o aprimoramento deles .Mas sim, minha experiência leva-me a crer que em certos casos a eliminação é o procedimento mais recomendável. 

3) O “publish or perish” poderia ajudar a ter uma massa maior de pessoas treinadas para escrever pesquisa científica de nível?

Certamente, hoje, mais do que antes, um pesquisador científico inexiste se não publica. Este é um assunto por demais debatido e nem tem mais sentido ser revisitado. 

4) Em alguns países no primeiro ano da universidade tem uma matéria obrigatória de estudo chamada “technical writing” ou similar. As universidades não deveriam ensinar como matéria obrigatória desde o primeiro ano a escrever de maneira profissional os diferentes tipos de estilos: papers, apresentações, currículos, projetos, etc.?

Estou de acordo com esta proposição que já é praticada em muitas instituições. Iria além dos papers e projetos e consideraria muito importante o aprendizado de escrever uma patente. Uma boa parte dos pesquisadores de universidades estão hoje em dia interessados em inovar, o que requer patentear. A redação de uma patente é hoje uma capacitação com regras especiais e até certo ponto complexas. Em algum ponto de um curso da área de ciências naturais deveria haver o ensino desta arte. 

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

SCIENTIFIC ELECTRONIC LIBRARY ONLINE. Entrevista – Rogério Meneghini [online]. SciELO em Perspectiva, 2013 [viewed ]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2013/10/15/entrevista-rogerio-meneghini-2/

 

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