Ao som da música e da poesia brasileira: A Barca, registro poético para não esquecer

Só um desejo de nitidez ampara o mundo…
Faz sol. Fez chuva. E a ventania
Esparrama os trombones das nuvens no azul.

 (Mário de Andrade in Momento 1937)

A Barca é um maravilhoso grupo musical que foi escolhido para fazer a abertura do evento 15 anos SciELO. Formado pelos amigos – Ari Colares (percussão), Chico Saraiva (violão), Laeticia Madsen (voz), Lincoln Antonio (piano e pífano) e Marcelo Pretto (voz) – com a finalidade de tratar os temas da viagem, da cultura, da música popular e do Brasil, a partir do poeta Mário de Andrade (1893-1945)¹, A Barca tem no seu trabalho mais do que música e poesia como ponto em comum, a ideia de travessia, de inquietação e vontade de reunir riquezas de um tesouro vivo, que são os muitos artistas espalhados pelo País afora.

Os espetáculos de A Barca foram iniciados em 1998, trazendo desde aquela época as marcas da pesquisa e da movimentação, bem como dos encontros e da criatividade.

Pode-se dizer que a primeira aventura desse grupo ocorreu em 1999, quando pegou a estrada… em busca do conhecimento vivenciado nas praças, nas ruas e nas festas populares…A Barca

A Barca começou visitando algumas cidades dos estados do Pará e Maranhão. Ao todo, sete cidades inspiradoras de um projeto que foi crescendo e crescendo.

Muitos artistas passaram a fazer parte da empreitada, ajudaram com seus cantos e danças a desenvolver uma caminhada rica de acontecimentos e descobertas.

Encantamento e beleza iriam compor aos poucos uma grande mostra do que é o Brasil. Da música e da Poesia. Aliás, Mário de Andrade iria continuar sendo a referência nessa direção, a do promover os diálogos culturais possíveis, os encontros entre tantos artistas do território nacional… tocadores de viola, rabeca e percussão, cantadores de muitas canções, dançarinos de todas as idades e modas – mulheres, homens e crianças.

Daí a certificação da passagem pelo Carimbó de Santarém Novo no Pará, pela Tenda São José em Pirapemas no Maranhão e, ainda, a Casa Fanti-Ashanti em São Luís.

Mas era simplesmente o princípio de algo que ia crescer ainda mais…

Em 2000, A Barca lançou seu primeiro CD, com o título que levava o mesmo nome de um dos livros famosos do poeta Mário de Andrade: O Turista Aprendiz.  Depois de dois anos, saiu mais um CD do grupo, em parceria com a Casa Fanti-Ashanti, agora, intitulado: Baião de Princesas.

E o repertório que se expandia era o da tradição da cultura popular nos seus moldes da comunicação interativa com o tempo. A música da voz plural que dá vida, ainda mais…

O ritmo dinamizou-se, criando corpo com a ampliação desse diálogo entre culturas diversas, por sua vez, motivado pelos próprios artistas de A Barca e por tantos outros que foram adentrando esse espaço singular.

Mais de dez mil quilômetros foram rodados pelo grupo A Barca, numa enriquecedora empreitada bastante coerente com a musicalidade e a interação. A Barca passou a visitar também quilombos, aldeias indígenas, bairros de periferia, cidades ribeirinhas, sertanejas e litorâneas. E daí resultou nesse trabalho de gravações, totalizando trezentas horas de áudio e vídeo, além de seis mil fotos.

Foi a partir de 2006 que o grupo chegou a lançar uma caixa com três CDs e um DVD: Trilha, Toada e Trupé. No ano seguinte, em 2007, houve outro lançamento do grupo, com sete CDs e mais um conjunto de documentários, em curta metragem, trazendo todo um repertório da cultura viva brasileira.

Entre 2007 e 2008, A Barca acabou criando o Projeto Trilhas, com o apoio do PAC e Votorantim. Aí nasceu outro plano de viagem, que seguiria, dessa vez, em direção a Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande de Sul.

A Barca foi conquistando o gosto do público e criando, ao mesmo tempo, um verdadeiro registro poético para não esquecer: muito som, muita cantoria e corpo, no colorido da poesia e da música popular, do encontro nesse convívio entre artistas, mais do que tocadores de instrumentos, tocadores do coração de quem sabe muito bem apreciar arte nos seus diferentes modos de expressão.

Notas

¹Mário de Andrade – fotógrafo e turista aprendiz. Instituto de Estudos Brasileiros. São Paulo, USP, 1993.

Links relacionados

Barca – http://barca.com.br/

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

SCIENTIFIC ELECTRONIC LIBRARY ONLINE. Ao som da música e da poesia brasileira: A Barca, registro poético para não esquecer [online]. SciELO em Perspectiva, 2013 [viewed ]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2013/09/30/ao-som-da-musica-e-da-poesia-brasileira-a-barca-registro-poetico-para-nao-esquecer/

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Post Navigation