Algumas ideias sobre a pós-graduação brasileira

Ribeirão Preto, 25/10/2017

O potencial do Brasil para se tornar um competidor mundial, consistente com seu tamanho, população e recursos naturais, depende da sua capacidade de desenvolver ciência, tecnologia e inovação nos próximos anos. Isso exigirá um sistema educacional efetivo em todos os níveis.

Nos últimos anos, a ciência e a tecnologia receberam apoio financeiro dos governos nacionais e estaduais e cresceram em tamanho e distribuição geográfica. Embora o número de publicações brasileiras nacionais e internacionais tenha aumentado significativamente, o impacto da ciência brasileira, medido pelo número de citações em periódicos internacionais, atingiu um patamar. Uma vez que a maioria das pesquisas é realizada na pós-graduação isso deve ser motivo de preocupação para todos nós na universidade.

Em 2015, escrevi um diagnóstico sobre a pós-graduação e culpei a CAPES por enfatizar a produtividade sobre outras qualificações dos alunos1. De fato, existem poucos outros parâmetros que podem ser usados na avaliação de cursos que tenham milhares de estudantes.

Podemos melhorar o nível de cursos de mestrado e doutorado introduzindo novas disciplinas que enfoquem na “formação” do aluno em vez de se concentrar na “informação”. Nossos alunos chegam com diferentes perfis educacionais e deficiências em algumas áreas. Os docentes podem melhorar a qualidade da pós-graduação de baixo para cima criando novas disciplinas que enfatizam as habilidades necessárias para fazer ciência.

Nossos objetivos deveriam, entre outros, ser os de criar um ambiente onde os estudantes possam pensar, ser curiosos, analisar e pensar de forma crítica e rigorosa afim de identificar, formular e fazer perguntas científicas relevantes, comunicar e compreender a natureza e a importância da pesquisa interdisciplinar. Em suma, temos que preparar nossos alunos para poder navegar em um mundo de quantidades enormes e crescentes de informação para continuar aprendendo e se desenvolvendo mesmo depois de receber seu diploma.

Lewis Joel Greene
ljgreene@fmrp.usp.br

Nota

1. GREENE, L. J. É hora de rever o sistema de pós-graduação brasileiro [online]. SciELO em Perspectiva, 2015 [viewed 26 October 2017]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2015/01/26/e-hora-de-rever-o-sistema-de-pos-graduacao-brasileiro/

Referência

GREENE, L. J. É hora de rever o sistema de pós-graduação brasileiro [online]. SciELO em Perspectiva, 2015 [viewed 26 October 2017]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2015/01/26/e-hora-de-rever-o-sistema-de-pos-graduacao-brasileiro/

 

Sobre Lewis Joel Greene

Atualmente é professor titular voluntário (colaborador sênior) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, no departamento de Biologia Celular, Molecular e Bioagentes Patogênicos. É supervisor do Centro de Química de Proteínas, na Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, onde desenvolve estudos de caracterização química, funcional e estrutural de proteínas, utilizando abordagens tradicionais em química de proteínas e análise proteômica.

 

Traduzido do original em inglês por Lilian Nassi-Calò.

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

GREENE, L. J. Algumas ideias sobre a pós-graduação brasileira [online]. SciELO em Perspectiva, 2017 [viewed ]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2017/10/30/algumas-ideias-sobre-a-pos-graduacao-brasileira/

 

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