Um panorama diversificado de rankings

Em postagem anterior, esse blog “SciELO em Perspectiva” abordou os rankings  de universidades¹, comentando alguns deles, de nível internacional (Academic Ranking of World Universities -ARWU, Times Higher Education – THE, QS Top Universities, Leiden Ranking, Webometrics e SCImago Institutions Ranking – SIR); regional – circunscritos à Europa (U-Map e U-Multirank); e um nacional, o Ranking Universitário da Folha – RUF.

O primeiro ranking universitário de âmbito nacional foi publicado nos Estados Unidos em 1983 pelo U.S. News & World Report. Empresas de comunicação ou agências independentes produziam esses guias de universidades, avaliando e ocasionalmente classificando IES – Instituições de Ensino Superior através da combinação de informações qualitativas e quantitativas². A proliferação desses rankings nos EUA, impulsionada pela cultura americana, introduziu uma “dinâmica de competitividade em sistemas nacionais, o que foi visto como uma influência (positiva) no comportamento institucional, capaz de levar à melhora da qualidade” (Hazelkorn 2010). A experiência estadunidense inspirou a criação de sistemas internacionais de classificação, como os citados acima, mas também os de âmbito nacional, por outros países, como o CHE-HochschulRanking, na Alemanha; o Melbourne Institute International Standing of Australian Universities e o Good University Guide, na Austrália; e o do diário Asahi Shimbun, no Japão; e os mais recentemente lançados, como o U-GR da Universidade de Granada, na Espanha; o Ranking de Universidades – Clase 13, no México (lançado em junho de 2013, numa parceria da Universidade Autónoma do México – UNAM, com o periódico El Economista); e no Brasil, o Ranking Universitário da Folha (RUF), primeira listagem de IES brasileiras elaborada pelo jornal Folha de São Paulo e lançado em setembro de 2012 – e já na sua segunda edição, divulgada no começo desse mês.

Considerando que a maioria dos rankings mundiais incluem somente cerca de 1% a 3% das instituições (200-500 universidades), de cerca de 17 mil instituições de nível superior do mundo³, excluindo a maioria das universidades existentes, esses rankings nacionais têm seu mérito em posicionar instituições que de outro modo não apareceriam em nenhuma listagem.

No caso do Brasil, invariavelmente apenas duas ou três universidades aparecem nos rankings internacionais, e com o RUF foi possível ampliar o universo para 192 universidades do país, na sua edição 2013. Embora a metodologia ainda seja passível de críticas, por comportar numa mesma listagem instituições de naturezas e objetivos bem diversos – universidades de pesquisa e de ensino, o RUF também inova ao adotar para seu critério de produtividade científica, além da tradicional base de dados internacional Web of Science, fontes mais condizentes com o contexto brasileiro, no caso, a SciELO.

Imagem:
panorama
Fonte: Rauhvargers, 2011, p. 13

Há um panorama de surgimento de listagens diversificadas, em diferentes níveis – internacionais, regionais e nacionais – e essa variedade demonstra que um processo de homogeneização e similaridade das diferentes instituições através dos critérios adotados pelos rankings é impossível.

Como exortou Adam Habib: “estudos comparativos podem revelar muito e permitir lições a serem aprendidas a partir de experiências variadas só se não esquecerem do contexto” (Habib 2011).

Notas

¹ Indicadores de produtividade científica em rankings universitários: critérios e metodologias. SciELO em Perspectiva. [viewed 14 September 2013]. Available from: <http://blog.scielo.org/blog/2013/08/15/indicadores-de-produtividade-cientifica-em-rankings-universitarios-criterios-e-metodologias/>.

² HAZELKORN, E. Os rankings e a batalha por excelência de classe mundial: estratégias institucionais e escolhas de políticas. Rev. Ensino Superior UNICAMP, abr 2010, nº 1, p. 43-64. [viewed 12 September 2013]. Available from: <http://www.gr.unicamp.br/ceav/revistaensinosuperior/ed01_maio2010/pdf/Ed01_marco2010_ranckings.pdf>.

³ RAUHVARGERS, A. Global university rankings and their impacts. Brussels: European University Association, 2011. (EUA Report on Rankings 2011). [viewed 12 September 2013]. Available from: <http://www.eua.be/pubs/Global_University_Rankings_and_Their_Impact.pdf>.

Referências

HABIB, A. A league apart. Times Higher Education, 13 out. 2011. [viewed 14 September 2013]. Available from: http://www.timeshighereducation.co.uk/417758.article#.Tphc9B–hbM.

HAZELKORN, E. Os rankings e a batalha por excelência de classe mundial: estratégias institucionais e escolhas de políticas. Rev. Ensino Superior UNICAMP, abr 2010, nº 1, p. 43-64. [viewed 12 September 2013]. Available from: <http://www.gr.unicamp.br/ceav/revistaensinosuperior/ed01_maio2010/pdf/Ed01_marco2010_ranckings.pdf>.

 

Sibele FaustoSobre Sibele Fausto

Colaboradora do SciELO, pós-graduanda em Ciência da Informação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (PPGCI-ECA-USP), especialista em Informação em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo em parceria com o Centro Latino-Americano de Informação em Ciências da Saúde (UNIFESP-BIREME-OPAS-OMS), é bibliotecária do Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (DT-SIBi-USP).

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

FAUSTO, S. Um panorama diversificado de rankings [online]. SciELO em Perspectiva, 2013 [viewed ]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2013/09/25/um-panorama-diversificado-de-rankings/

 

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